Muitos tutores associam a leishmaniose canina a lesões na pele e a sintomas dermatológicos, mas um dos danos mais graves e silenciosos é o que pode ocorrer nos rins.
Realizar análises periódicas e estabelecer um acompanhamento veterinário correto para detetar a tempo alterações renais fará toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida dos cães que sofrem desta doença.
De que forma a leishmaniose danifica os rins de um cão?
Quando um cão é infetado com leishmaniose canina, o seu sistema imunitário, ao tentar combater a infeção, pode gerar uma grande quantidade de complexos imunes (conhecidos como imunocomplexos) que circulam pelo organismo. Os rins são um dos principais órgãos onde estes imunocomplexos se podem depositar.
Ao chegarem aí, ocorre uma inflamação dos filtros renais (glomerulonefrite), reduzindo progressivamente a capacidade de os rins desempenharem as suas funções. Esta é considerada uma das principais complicações graves da leishmaniose canina, uma vez que desencadeia a acumulação de toxinas, a perda de proteínas e uma deterioração geral da qualidade de vida do animal.
Os dois sinais de alerta nas análises: proteinúria e azotemia
O dano renal pode ser silencioso ao início, mas é detetado de forma precoce nas análises veterinárias através de dois indicadores principais:
- Proteinúria: É a perda anormal de proteínas através da urina. É o sinal de alerta mais precoce de que os filtros do rim estão danificados e deteta-se com uma simples análise de urina (rácio UPC).
- Azotemia: É a acumulação de resíduos tóxicos no sangue (como a ureia e a creatinina). Indica que os rins já não estão a cumprir a sua função de filtragem e limpeza, sendo detetada através de uma análise de sangue.
Sintomas visíveis de dano renal: o que devo vigiar em casa?
Embora os sintomas sejam inespecíficos, deve ficar alerta e consultar o veterinário se o seu cão apresentar algum dos seguintes sinais:
- Aumento do consumo de água (polidipsia).
- Aumento da quantidade de urina (poliúria).
- Perda de apetite.
- Sintomas digestivos, tais como vómitos ou diarreia.
- Perda de peso progressiva.
- Cansaço ou apatia.
Quando estes sintomas surgem, é habitual que já exista uma deterioração significativa dos rins. Por isso, a deteção precoce através de análises é fundamental.
A deteção precoce é fundamental: exames e acompanhamento veterinário
A única forma de proteger os rins do seu cão é através das consultas de revisão periódicas estabelecidas pelo seu veterinário. No âmbito do controlo da doença, estes exames são imprescindíveis:
- Análise de sangue completa: Para avaliar parâmetros bioquímicos como a ureia, a creatinina e, especialmente, a SDMA (um marcador que deteta o dano renal muito mais cedo).
- Análise de urina: Essencial para medir a densidade da urina e detetar a perda de proteínas através do rácio Proteína/Creatinina urinária (UPC).
Através da avaliação destes resultados, o seu veterinário poderá identificar o dano renal antes do aparecimento de sintomas, adaptando o tratamento. Uma parte fundamental deste controlo é a nutrição, pelo que recomendamos a leitura do nosso guia completo sobre a alimentação para cães com leishmaniose, onde explicamos como uma dieta especial pode proteger os seus rins.
Médico Veterinario
Geralmente, o dano estrutural nos rins não é reversível. No entanto, com um diagnóstico precoce e um tratamento e maneio adequados (incluindo a dieta), é possível abrandar ou travar a sua progressão e manter uma boa qualidade de vida durante anos.
A frequência será estabelecida pelo seu veterinário de acordo com a fase da doença em que o seu cão se encontra. Geralmente, recomenda-se um controlo pelo menos a cada 6 meses em cães estáveis, e com maior frequência se já existir dano renal.
Beber e urinar mais do que o normal é um dos sintomas mais característicos da insuficiência renal, mas também pode dever-se a outras causas. Se notar este comportamento, é um motivo importante para consultar o veterinário e fazer uma avaliação completa o quanto antes.
A proteinúria é a presença de uma quantidade anormal de proteínas na urina. É um dos sinais de alerta mais precoces de que os filtros do rim estão danificados e não estão a funcionar corretamente, mesmo antes de outros valores sanguíneos sofrerem alterações.