Diagnóstico y pruebas

Leishmaniose e prurido: Diferenciação e tratamento em cães com sintomatologia pruriginosa

Leishmaniose e prurido: Diferenciação e tratamento em cães com sintomatologia pruriginosa
12/05/2026

Causas da prurido na leishmaniose

Embora as lesões cutâneas mais comuns, como a dermatite esfoliativa, não costumem provocar comichão, existem várias causas que podem explicar a presença de prurido em cães com leishmaniose, as quais devem ser consideradas na avaliação de um caso.

A causa mais comum é a pioderma secundária (infecção bacteriana da pele). Esta é facilitada pelo enfraquecimento do sistema imunitário do cão e pela deterioração da sua barreira cutânea. Frequentemente, estas infeções bacterianas são a principal causa da comichão. 

Além disso, existem formas menos típicas da doença, como a dermatite pustulosa, nas quais a comichão pode ser um sintoma significativo e de intensidade variável. Adicionalmente, o desequilíbrio na resposta imunitária provocado pela infeção pode desencadear reações de hipersensibilidade, que também contribuem para o prurido. 

 Diagnóstico diferencial do prurido na leishmaniose

Identificar a causa da comichão num cão com leishmaniose é um desafio, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com outras condições alérgicas, como a dermatite atópica, a alergia alimentar ou a dermatite causada por pulgas. 

  • Nas doenças alérgicas, a comichão costuma ser o sintoma principal e surge desde as fases iniciais.
  • Em contrapartida, na leishmaniose, a comichão é geralmente uma consequência de outras complicações ou surge em formas menos comuns da doença.

Um aspeto crucial é a interpretação dos testes de alergia. Os cães com leishmaniose podem apresentar níveis elevados de IgE (um tipo de anticorpo associado às alergias) em resposta a alérgenos ambientais (como ácaros ou pólen) sem que estejam realmente a sofrer de uma alergia. Isto pode levar a falsos positivos nos testes. Por esta razão, recomenda-se confirmar ou descartar a infeção por Leishmania antes de diagnosticar uma doença alérgica ou interpretar estes testes de IgE. 

É importante lembrar que ambas as doenças podem ocorrer ao mesmo tempo, o que complica ainda mais o tratamento do caso e sublinha a necessidade de uma avaliação completa do paciente.

Tratamento da prurido na leishmaniose 

O tratamento da comichão em cães com leishmaniose requer uma abordagem multifacetada, que se concentre tanto na causa principal da doença como nas complicações associadas. 

  • O primeiro passo essencial é o tratamento específico contra o parasita, com o objetivo de reduzir a quantidade de parasitas no organismo do cão. Os tratamentos de primeira escolha, que se ajustam ao estado da doença, costumam combinar medicamentos como o antimoniato de meglumina ou a miltefosina, juntamente com o alopurinol.
  • Simultaneamente, é crucial identificar e tratar qualquer infeção secundária, especialmente as infeções bacterianas da pele (piodermites), uma vez que contribuem significativamente para a comichão.
  • Em situações em que a comichão é muito intensa, pode ser necessário recorrer a terapias para aliviar a comichão ou a tratamentos anti-inflamatórios. No entanto, estes medicamentos devem ser utilizados com cautela e sempre sob a supervisão de um veterinário, uma vez que podem afetar a resposta imunitária do animal.
  • Um acompanhamento clínico constante é fundamental para adaptar o tratamento de acordo com a evolução do paciente e para minimizar qualquer risco potencial.

Importância da barreira cutânea 

A barreira protetora da pele é fundamental no desenvolvimento e na progressão da doença. Na leishmaniose, é comum que essa barreira se encontre danificada, muitas vezes devido à destruição das glândulas sebáceas. Isto provoca descamação, secura da pele e uma menor capacidade protetora. 

Estas alterações na pele facilitam o aparecimento de infeções secundárias, o que, por sua vez, aumenta significativamente o risco de comichão. Além disso, a leishmaniose pode dificultar a cicatrização de feridas e manter a inflamação. 

Por todas estas razões, os cuidados com a pele devem ser considerados uma parte essencial do tratamento clínico. Isto é conseguido através da utilização de tratamentos tópicos adequados, de uma alimentação equilibrada e de outras medidas que contribuam para restaurar a função protetora da pele.

Conclusão 

Em geral, o prurido em cães com leishmaniose não costuma ser um sinal primário, mas pode surgir como consequência de infeções secundárias, formas clínicas atípicas ou alterações imunitárias. Um diagnóstico diferencial correto e uma abordagem terapêutica integral são essenciais para controlar a doença e melhorar a qualidade de vida do animal.

 

Débora Poveda Macías | @debora.dermavet

Dermatologista Canina e Fundadora da Débora Dermavet (Alicante)

Perguntas frequentes sobre os sintomas do prurido

Não diretamente. O prurido é quase sempre um sintoma de uma complicação secundária, principalmente uma infeção bacteriana da pele (piodermite) que se aproveita da baixa imunidade do cão. 

Dirija-se ao seu médico veterinário. É fundamental que ele identifique a causa exata da comichão (muito provavelmente uma infeção) para poder tratá-la de forma específica, juntamente com a própria leishmaniose. 

Não, nunca deve automedicá-lo. Os medicamentos para a alergia, como os corticosteroides, podem ser contraproducentes num cão com uma infeção ativa e enfraquecer ainda mais o seu sistema imunitário. 

O tratamento contra a Leishmania é o primeiro passo, mas se a comichão for causada por uma infeção cutânea, esta necessitará de um tratamento específico com antibióticos. Ao tratar ambas as causas em simultâneo, a comichão irá desaparecer.

Fontes:
  • Cabré, M., Solano-Gallego, L., DeBoer, D., & Ordeix, L. (2025). Serum allergen-specific immunoglobulin E response in dogs with moderate-to-severe leishmaniosis. Veterinary Dermatology. https://doi.org/10.1111/vde.70020
  • Colombo, S., Abramo, F., Borio, S., Albanese, F., Noli, C., Dedola, C., & Leone, F. (2016). Pustular dermatitis in dogs affected by leishmaniosis: 22 cases. Veterinary Dermatology, 27(1), 9-e4. https://doi.org/10.1111/vde.12274
  • Murillo-Picco, A., Jiménez-Fortunato, C., Rivero, T., Solano-Gallego, L., & Bardagí, M. (2026). Ex vivo effects of oclacitinib and cyclosporin A on canine immune response to Leishmania infantum. Scientific Reports. https://doi.org/10.1038/s41598-025-32578
  • Saridomichelakis, M. N., Baneth, G., Colombo, S., Dantas-Torres, F., Ferrer, L., Fondati, A., Miró, G., Ordeix, L., Otranto, D., & Noli, C. (2025). World Association for Veterinary Dermatology consensus statement for diagnosis, and evidence-based clinical

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