Síntomas y detección temprana

Sintomas da leishmaniose que costumam passar despercebidos

Sintomas da leishmaniose que costumam passar despercebidos
20/10/2026

O que é a leishmaniose e por que razão os seus primeiros sinais são tão enganadores? 

A leishmaniose é uma zoonose, ou seja, uma doença transmissível dos animais para os seres humanos. É causada por um parasita do género Leishmania spp., que é introduzido no organismo do animal através da picada de um pequeno inseto chamado flebótomo. 

Esta doença é endémica em países de todos os continentes, com exceção da Oceânia. Embora possa afetar todos os mamíferos, os cães são os mais afetados, por serem os principais reservatórios. A razão pela qual os seus primeiros sintomas são tão enganadores reside na sua variabilidade e no facto de serem frequentemente confundidos com outras patologias mais comuns ou até com simples alterações de comportamento ou envelhecimento. 

 

Primeiros sintomas de leishmaniose em cães que requerem atenção 

Durante as primeiras fases da doença, embora o organismo esteja a reagir contra a infeção, o cão pode continuar a fazer uma vida praticamente normal. No entanto, há uma série de sinais, frequentemente subtis, que nos devem alertar. Alguns dos sintomas que podem surgir nesta etapa da doença incluem: 

1. Perda de peso progressiva e sem causa aparente 

Se o cão emagrecer sem que tenha havido alterações significativas na sua alimentação, exercício físico ou rotina, será recomendável falar com o seu médico veterinário. Uma perda de peso que não parece ter uma causa óbvia é um dos sinais a que convém estar atento. 

2. Cansaço invulgar ou menor atividade de forma persistente 

Ter menos atividade ou apresentar maior cansaço de forma pontual pode ser algo normal no dia a dia dos nossos cães, mas, quando isto é persistente e se prolonga no tempo, convém investigar a sua origem para chegar a um diagnóstico preciso, que pode também incluir a leishmaniose canina. 

3. Alterações subtis na pele e no pelo 

Embora as alterações na pele e no pelo sejam sintomas comuns a diversas doenças dermatológicas, se o nosso cão apresentar descamação, zonas alopécicas (sem pelo) ou lesões na pele que não melhoram, devemos sempre investigar a causa. Em zonas endémicas de leishmaniose canina, será imprescindível despistar esta doença. Estas alterações podem manifestar-se sob a forma de:  

  • Descamação ou caspa persistente. 
  • Alopécia focal, especialmente ao redor dos olhos ("óculos de leishmaniose"), nas orelhas ou no focinho. 
  • Pele seca e espessada em certas zonas. 
  • Pequenas úlceras ou feridas que demoram a cicatrizar. 

4. Crescimento excessivo das unhas (onicogrifose) 

O crescimento anormalmente rápido ou excessivo das unhas, que também se podem tornar frágeis ou deformadas, é outro sinal que pode chamar a atenção. Este sintoma não surge necessariamente em todos os cães com leishmaniose, mas quando se manifesta em conjunto com outras alterações pode ser um sinal que ajude a orientar o diagnóstico para esta doença. 

Sintomas de leishmaniose que passam frequentemente despercebidos 

Para além dos sinais mencionados, existem manifestações ainda mais subtis que são frequentemente ignoradas ou atribuídas a outras causas, atrasando gravemente o diagnóstico. Prestar atenção a estes indicadores pode ser crucial: 

5. Claudicação intermitente ou dificuldade em mover-se 

Um ligeiro coxear que surge e desaparece sem um motivo claro, ou uma relutância do seu cão em saltar, subir escadas ou brincar como antes. É frequentemente atribuído a pancadas, à idade ou a problemas articulares menores, sem que se investigue mais a fundo. 

6. Alterações oculares persistentes ou recurrentes 

Conjuntivite crónica (olhos vermelhos e irritados), úlceras na córnea que não cicatrizam facilmente ou uma secreção ocular que não melhora com os tratamentos convencionais. Estes problemas oculares podem ser uma manifestação direta da leishmaniose. 

7. Aumento subtil da sede e da micção (poliúria/polidipsia) 

Se notar que o seu cão bebe mais água do que o habitual ou que pede para ir à rua com maior frequência para urinar, este é um sinal precoce de uma possível lesão renal. O compromisso renal é uma das complicações mais graves da leishmaniose e estas alterações podem ser muito graduais. 

8. Alterações digestivas ligeiras e recurrentes 

Episódios esporádicos de fezes moles, diarreia ou vómitos isolados que não estejam relacionados com mudanças recentes na alimentação ou com a ingestão de algo estragado. Podem ser um sinal de que o sistema digestivo está a ser afetado. 

9. Hemorragias nasais ocasionais (epistaxe) 

Pequenas perdas de sangue pelo nariz/focinho que ocorram de forma recorrente e sem um traumatismo evidente podem ser um sinal de problemas de coagulação associados à leishmaniose. 

10. Gânglios linfáticos aumentados ou endurecidos (linfadenomegalia) 

Embora tenha sido mencionado nos sintomas comuns, o aumento de volume dos gânglios (especialmente os poplíteos, atrás dos joelhos, ou os pré-escapulares, no ombro) pode ser difícil de detetar sem uma palpação intencional e regular. 

 

Por que razão os sintomas pouco evidentes da leishmaniose canina podem passar despercebidos e confundir-se com outras patologias? 

Uma das razões pelas quais a leishmaniose canina pode passar despercebida é o facto de muitos dos seus sintomas serem comuns a outras doenças e, por serem tão amplos e inespecíficos, poderem ser confundidos com outras patologias. 

Uma menor atividade nos cães pode ser atribuída a cansaço ou ao envelhecimento; alterações na pele a alergias, dermatites ou parasitas externos; e perdas de peso moderadas podem passar despercebidas até se tornarem muito evidentes. A tudo isto soma-se o facto de o quadro clínico da leishmaniose canina poder manifestar-se de forma muito diferente de paciente para paciente. 

Como não existe um único sintoma que permita confirmar ou descartar a doença, caberá ao médico veterinário avaliar cada caso para poder estabelecer um plano de diagnóstico. 

É importante recordar que, no caso da leishmaniose canina, a prevenção é sempre a chave e, por isso, em zonas endémicas desta doença, as medidas preventivas e os controlos veterinários regulares assumem sempre uma importância redobrada. 

 

Quando é importante ir ao médico veterinário perante sintomas subtis? 

Convém prestar especial atenção e consultar o seu médico veterinário nas seguintes situações, mesmo que os sinais pareçam ligeiros ou intermitentes:  

  • Perda de peso sem explicação aparente. 
  • Cansaço ou diminuição da atividade habitual que persiste ao longo do tempo. 
  • Alterações na pele ou no pelo (descamação, peladas/falhas no pelo) que não melhoram. 
  • Lesões cutâneas, sobretudo úlceras, que não cicatrizam. 
  • Crescimento excessivo ou deformado das unhas. 
  • Gânglios aumentados de volume (palpáveis como pequenos nódulos firmes). 
  • Alterações no apetite ou na sede (bebe e urina mais do que o normal). 
  • Claudicação intermitente (coxear) ou dor ao mover-se. 
  • Problemas oculares persistentes (conjuntivite, secreções). 
  • Hemorragias nasais ou outras alterações que não sejam habituais. 

Quando estes sintomas surgem, embora não signifiquem que o cão esteja necessariamente infetado com leishmaniose canina, será fundamental recorrer ao médico veterinário para que este possa investigar a causa. A deteção precoce permitirá avaliar o estado geral do animal e definir o melhor tratamento, caso seja necessário. 

 

A importância de detetar a doença a tempo 

Uma deteção precoce da leishmaniose canina permitirá avaliar o estado geral do animal e definir o melhor tratamento, caso seja necessário. Isto é fundamental para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida do seu cão, minimizando as complicações a longo prazo. 

Se detetar alguma destas alterações, a melhor opção será recorrer ao médico veterinário para que este realize os exames necessários e determine se os sintomas estão relacionados com a leishmaniose ou com outra patologia. Detetar os sinais a tempo é uma das melhores formas de cuidar da saúde e do bem-estar do seu cão. 

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Víctor Algra | unveterinario

Médico Veterinario

 

Aqui respondemos a algumas das dúvidas mais comuns sobre os sintomas da leishmaniose canina, sobretudo aqueles que podem ser mais difíceis de identificar: 

Sim, é possível. Muitos cães podem ser portadores do parasita (leishmaniose assintomática) durante meses ou até anos sem manifestar qualquer sinal clínico. Por essa razão, os check-ups veterinários anuais são tão importantes, sobretudo em zonas endémicas, para detetar a infeção a tempo. 

O período de incubação é muito variável, desde alguns meses até vários anos. Durante este tempo, os sintomas podem ser muito ligeiros, intermitentes ou tão subtis que se confundem com outras afeções menores. Isto reforça a importância da observação contínua do comportamento e da saúde do seu cão. 

Perante qualquer suspeita, por mais pequena que seja, ou se o seu cão apresentar vários dos sintomas aqui descritos, é fundamental que consulte o seu médico veterinário o mais rapidamente possível. O especialista realizará os exames de diagnóstico necessários para confirmar ou descartar a doença e definir o tratamento adequado. 

A leishmaniose é conhecida como a "grande simuladora" porque os seus sintomas são muito variados e inespecíficos, podendo assemelhar-se aos de outras doenças. Por este motivo, o diagnóstico definitivo requer exames laboratoriais específicos (análises de sangue, citologias, PCR) que confirmem a presença do parasita ou a resposta imunitária ao mesmo. 

Não, a leishmaniose pode afetar cães de qualquer idade, raça ou estado de saúde. Embora os cães com sistemas imunitários comprometidos ou muito jovens/muito idosos possam ser mais suscetíveis de desenvolver a doença de forma grave, qualquer cão exposto à picada do flebótomo corre esse risco. 

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